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  • Mulheres no boteco: Karina, advogada de responsa

    Karina Venâncio,  24 anos 

    “ Vou ao boteco pra ficar livre, poder rir alto, contar as histórias da semana, conhecer melhor aqueles ‘quase amigos’ que estão na mesa.”

     

    Karina é advogada e trabalha a maior parte do tempo no escritório. É por isso que, nas horas vagas corre para um boteco, onde conta ser seu local preferido para rever amigos ou para um esquenta antes da balada. Ela conta que o boteco é uma boa pedida pra se divertir, sem ter que se preocupar com limpar a casa depois e é por isso que vira e mexe ela e seus amigos vão botecar. O boteco também é um refúgio naqueles dias que parece não ter nenhuma festa ou programação mais animada.

    Nos bares, geralmente pede uma Brahma de 600 ou litrão, não é muito exigente para marcas de cerveja, mas faz questão que esteja trincando. Não é fã de drinks mirabolantes nem destilados puros, por isso, fica na cervejinha. Apesar de ir mais para beber do que comer, confessa que não resiste a uma porção ou outra pra forrar o estômago. As porções clássicas de batata ou polenta frita são as que mais agradam seu paladar botequeiro.

    Karina conta que gosta do clima informal dos botecos: “Sinto que as pessoas ficam mais livres e animadas. É um lugar com menos julgamento, tanto na forma como você age, quanto na forma como se veste. Por isso não frequento os tais ‘barzinhos’, não gosto do ambiente que te força a vestir determinada roupa/sapato ou usar maquiagem pra estar adequada ao lugar. Prefiro o boteco barato, que a gente vai de jeans e camiseta com tênis ou chinelo e tudo certo”, comenta.

    Como mulher, ela conta que o que mais incomoda nos botecos são pessoas invasivas, principalmente homens que ficam com olhares na mesa ou se intrometendo em conversas: “Vou ao boteco porque me sinto livre e não suporto ter essa liberdade tolhida por olhar alheio”, desabafa. Para Karina, a presença cada vez mais forte das mulheres em botecos, se deve ao fato de que “mulher que bebe” parou de ser vista como algo ruim pela maioria e assim elas se sentem menos reprimidas de frequentar esses espaços.

    As idas aos botecos sempre trazem histórias e lembranças memoráveis e com Karina não é diferente. Quem disse que não surgem amizades verdadeiras nos botecos? Ela conta que, nas mesas de bar, muitos desconhecidos já se tornaram amigos, que já ouviu histórias das mais bizarras de amigos seus e que já viu contas de bares exorbitantes, mas que sempre se dá um jeitinho de pagar dividindo de forma justa entre os amigos botequeiros. Quando tem música ao vivo conta que já é de praxe pedir músicas e se divertir dançando com os clássicos sertanejos, sambão ou o que tiver tocando.

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  • Mulheres no boteco: Veridiana divide trabalho com lazer nos botecos

    Veridiana Weinlich, 33 anos

    “Pra minha família comida é demonstração de amor e de cuidado. Então, quando vou a um boteco, espero encontrar esse amor”

    Veri vira e mexe vai a um boteco. Um dos motivos que a levam às biroscas da cidade é a comida servida na casa. Essa tradição já vem de berço, porque desde pequena se acostumou a reunir-se com a família em volta da mesa e dividir pratos e histórias incríveis: “Pra gente comida é demonstração de amor e de cuidado, então, quando vou até um boteco, espero encontrar esse amor”.
    Além do rango, ela conta que no bar o combo cerveja gelada + carisma do dono + ambiente informal + preços acessíveis a atrai e muito. Para completar a lista de razões, ela diz que seu trabalho como produtora cultural e seu envolvimento com o Concurso Comida Di Buteco há 7 anos (agora, como coordenadora local) também influencia nas idas aos botecos.
    Os motivos citados a levam ao bar pelo menos duas vezes na semana em períodos “normais”. Já durante o Comida di Buteco a história é outra. O evento acontece durante 24 dias corridos nos meses de abril a maio e, por conta disso, ela frequenta botecos todos os dias, chegando a fazer maratona de 10 botequins por dia. Haja fígado!
    As companhias nas jornadas pelos botecos são várias, desde sua namorada e fiel escudeira, até amigos, primos, sogros, cunhados e, às vezes, até a mãe de paladar exigente. Neste último caso ela confessa que não arrisca e opta pelos bares selecionados, com cardápio já conhecido. Assim, sabe que sua mãe irá aprovar. Vez ou outra também vai sozinha para relaxar e bater papo com os donos dos botecos encostada nos balcões, como uma boa botequeira gosta de fazer.
    Sua pedida preferida pra tomar é cerveja, mas também experimenta algum drink, cachaça ou shot especial da casa se tiver sido indicado pelo dono ou pelos garçons. Quando o assunto é comida ela diz que seus preferidos são os lanches “boquinha de anjo”, tradicionais em Campinas, com possibilidades de sabores variados e inusitados.
    Sobre a presença cada vez mais empoderadora das mulheres nos bares e botecos e que supera a quantidade de homens, ela comenta: “No processo de votação do Comida di Buteco temos na cédula de voto a opção do gênero. Tivemos no ano passado, no resultado nacional, 56% de votos femininos. Se você pensar, há 20 anos tratava-se de um universo completamente masculino e sem espaço para as mulheres. É claro que o mundo vem sofrendo suas mudanças sociais, mas acredito que com o aperfeiçoamento da culinária, da democratização do espaço, com a mídia e concursos de boteco, o acesso ficou mais fácil. Assim, a mulher, que costuma ser mais exigente, está cada vez mais em busca de qualidade e de ocupar esses estabelecimentos”.
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  • Mulheres no boteco: Fernanda, alma botequeira

    Fernanda Cavalcanti,  33 anos

    “Acho extremamente curioso sentar e conversar com os proprietários sobre as histórias dos botecos, isso me fascina”

    Fernanda vai aos botecos pelo menos duas vezes por semana para desfrutar do ambiente descontraído e da vasta quantidade de petiscos. Conta que sempre que possível tenta convencer os amigos a trocarem um restaurante ou bar mais refinado por um boteco mais sujinho, que é onde mais gosta de estar e se sente mais à vontade. Alguns amigos são parceiros frequentes em suas jornadas pelos balcões, mas seu namorado é ainda sua principal companhia, pois divide com Fernanda a mesma paixão, tendo inclusive um blog chamado Gole & Gula com relatos botequeiros e gastronômicos.
    A cerveja é sua melhor amiga, mas de vez em quando não dispensa uma dose de Campari ou da caipirinha de Campari encontrada no Presta Atenção. Apesar de não atuar na área, seu interesse por comida vem desde a sua formação em Engenharia de Alimentos e confessa que a combinação comer e beber é indissociável, por isso uma coisa nunca vem desacompanhada da outra.
    Suas porções prediletas são os lanchinhos boca de anjo com gorgonzola, pratos com joelho (do Rei do Joelho), porções fritas (como o doritos do mar do Bar do Carioca), pimentão recheado (do Bar do Fernando) ou o que for o carro-chefe de cada boteco. O que mais a atrai nos bares é o clima irresistível de camaradagem, animação entre os frequentadores, bem como os preços, geralmente, mais justos, as cervejas sempre geladas e as porções incrementadas.
    Como frequentadora nata de botecos, Fer reclama de algo unânime entre as mulheres: os banheiros. Ela conta que os banheiros femininos costumam ser bem precários, sem papel higiênico, espelho, às vezes até sem porta, e isso acaba por desestimular a presença das mulheres nos botecos. Comenta que já é tempo de uma mudança de atitude por parte dos donos de bares com relação a isso, oferecendo melhores condições e otimizando assim esses espaços para o público feminino.
    Ela conta que, apesar de encontrar muitas mulheres nos botecos, ainda percebe uma forte presença masculina que domina esses ambientes: “Acredito que bares e botecos mais simples ainda tem maior presença do público masculino, já em bares e botecos mais conhecidos você encontra mais mulher. Acredito que as mulheres estão em busca de locais mais descontraídos e animados para comer, beber e se divertir, mas elas ainda precisam se sentir mais seguras para frequentar esses espaços sem ligar para julgamentos”, destaca.
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  • Mulheres no Boteco: Letícia é adepta da arte de botecar

    Letícia Marega, 26 anos (foto)

    O que mais gosto nos botecos é o clima de descontração, relaxamento e a diversidade cultural encontrada

    Letícia é administradora por formação e não dispensa um bar, seja durante os dias de labuta ou no fim de semana. Todo motivo é válido: costuma ir para encontrar amigos e jogar conversa fora, celebrar ocasiões especiais e até mesmo para afogar as mágoas. Adepta da filosofia de que não tem tempo ruim, ela vai aos bares para beber uma gelada nos dias quentes e para esquentar os dias frios. Desculpas não faltam para botecar.
    Com ela não tem tabu. Geralmente, vai aos bares com grupos de amigos, mas quando ninguém está a fim, ela é suficientemente independente para ir sozinha e desfrutar de sua própria companhia, lendo um bom livro ou socializando com outras pessoas.
    Para beber, cerveja e, de preferência, no tradicional copo americano de boteco. Não se apega muito a marcas, mas confessa que sempre fica de olho no preço e a que estiver mais em conta ganha. Dependendo do bar, Letícia desfruta também de um chope e uma dose de Jägermeister para dar um grau.
    Apesar de suas idas aos bares terem foco no bate-papo, entrosamento e bebida, ela diz que não tem como não se render às delícias da baixa gastronomia. “Na real, uma coisa puxa a outra e sempre opto pelas iscas de frango, batatas fritas e outras porções rápidas e sem muito requinte”, comenta.
    Letícia se sente cativada por esse clima ameno de boteco, em que ela pode ir para  esquecer os problemas e curtir uma tarde ou noite despreocupada. A diversidade cultural também é um atrativo para ela, pois pessoas que nem sequer se conhecem podem se comunicar, trocar situações curiosas e estabelecer laços. Ela conta que ela mesma já fez alguns amigos em botecos e que hoje leva pra vida.
    Como mulher, ela comenta que o que mais a incomoda é a divulgação de propagandas que colocam a mulher como objeto: “É comum as marcas de cerveja utilizarem mulheres nos comerciais como ‘isca’ para atrair homens e, geralmente, mulheres com um padrão de beleza que não é a realidade da maioria”. Se diz também irritada com o desrespeito de alguns homens que frequentam os bares e se julgam no direito de fazer piadinhas sexistas, de se sentarem à mesa sem serem convidados e coisas do tipo. Lamenta também quando presencia cenas nas quais os garçons e proprietários se calam diante dessas situações ou quando se colocam a favor dos opressores.
    Apesar do assédio ainda presente, ela se diz feliz por encontrar tantas mulheres nos bares e fala que a luta da mulher não deve parar: “Estamos buscando além do reconhecimento, um espaço que nos foi tomado há anos, estamos nos impondo e exigindo mais respeito e tratamentos iguais. Isso merece um brinde”, enfatiza.
     
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  • Mulheres no boteco: Thaís curte a simplicidade dos botecos

    Thaís de Araújo Jorge, 26 anos

    “Tomei muitas decisões em mesas de boteco, fechei parcerias, discuti política, elaborei projetos, chorei, ri e, como não poderia deixar de ser, conheci meu noivo em uma mesa de boteco”

    Thaís sempre encontra um motivo para botecar. Entre uma pauta e outra na sua rotina agitada de jornalista, sempre reserva um espacinho do seu tempo para conhecer um novo boteco. O motivo pode ser refrescar as ideias depois do expediente, bater papo com gente querida ou bebericar uma gelada sem pretexto, o importante é ir.
    Além disso, Thaís confessa gostar do ambiente plural: “Costumo dizer que uma mesa de bar é a melhor rede social do mundo, porque ela serve de intermédio para a construção de vínculos muito sinceros. O clima que dispensa a formalidade faz com que a gente se permita entrar um pouco no mundo do outro e vice-versa”.
    Pelo menos uma vez por semana ela vai ao boteco com seu parceiro ou amigas e as vezes até com seus pais que diz serem companhias de responsa nas empreitadas botequeiras. A cerveja é a sua primeira escolha, sem preferência por marca, sua única exigência é que esteja bem gelada. Não é muito fã de destilados e drinks mirabolantes que são visualmente bonitos, que nem sempre tem o sabor almejado. Para ela, nada melhor do que uma cerveja pra estender o papo pela tarde ou noite toda.
    Apesar de ir mais pelo convívio e para beber, ela não dispensa uma porção que diz ser uma das melhores partes do rolê: “Não tem como ficar indiferente a uma salada de batata do Rei do Joelho, ou ainda um pastelzinho de joelho com catupiry. O bolovo é outro que cai bem com uma breja geladinha. Acredito que a comida traz muito da história do bar e das pessoas envolvidas naquele espaço em cada tempero, cada ingrediente”.
    Outras porções que fazem seu coração bater mais forte é a mandioca com costela do bar do Bigodi e da Tia Eli, o bolo doido do Bar do Carioca e tábua de frios como salames, queijos e até mesmo o tradicional amendoim dos botecos campineiros.
    Sobre o que mais gosta nos bares ela conta que se sente fisgada pela simplicidade e prosa dos garçons e donos da birosca. Esse contato pessoal, a simpatia, essa troca é uma das experiências mais lindas que já vivenciou, pois diz se sentir acolhida, como se estivesse em casa mesmo.
    Ainda há, porém, inconvenientes nesse universo. E ela enumera: o olhar invasivo de alguns homens quando percebem que só há mulheres na mesa, ou que você está sozinha; o ato de se sentar junto na mesa sem permissão mesmo quando não é bem-vindo e a divulgação de propagandas arcaicas e machistas de brejas, que só atestam um estereótipo bisonho com relação à mulher, estabelecendo relações que não fazem o menor sentido e que ainda estimulam o preconceito, o desrespeito”.
    Apesar disso ainda acontecer, ela se diz feliz em perceber que há um movimento crescente de posicionamento feminino em diversos espaços da sociedade, inclusive dentro dos bares e que já há diálogos mais abertos sobre assuntos como assédio, feminismo e combate a qualquer tipo de opressão.
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  • Mulheres no boteco: Giovana

    Giovana Rodrigues Seabra, 24 anos

    No boteco, gosto do fato de que as coisas tem uma história e a sensação de descobrir essas histórias e ser um pouco parte delas

    Giovana, Gi ou ainda Gio, como é chamada pelos amigos, trabalha como repórter de rádio. A rotina agitada, correndo de uma pauta para outra, a apresentação do programa de entrevistas e agora também a pós-graduação em Gestão e Produção Cultural tomam boa parte do seu dia. Mas, mesmo com a loucura do trabalho e os diversos afazeres, Gi não dispensa um boteco quando tem a oportunidade.
    Pelo menos uma vez por semana ela sai com as amigas para botecar. Os motivos que a levam à mesa do bar são vários: bebericar uma cerveja gelada; apreciar porções simples, porém maravilhosas; sentir o clima descontraído do boteco e desfrutar de boas companhias. Enfim, só justos e bons motivos. Gi se diz apaixonada pela simplicidade com que os botequins conquistam as pessoas e as fazem vivenciar experiências memoráveis.
    O carro-chefe para ela em qualquer boteco são as cervejas, mas, vez ou outra ela experimenta algum drinque, uma caipirinha ou, se a casa tiver, um licor ou cachaça artesanal. Gi aprecia a combinação comida + bebida, mas confessa que a queda é maior pelas delícias da baixa gastronomia. Ela explica que isso se deve ao fato de que é nas porções, lanches e acompanhamentos, que se tem mais contato com a identidade e a essência de cada lugar.
    Suas comidinhas favoritas são os lanches boquinha de anjo, os bolinhos de aipim e os caldos. Além disso, ela se diz muito interessada em experimentar as variações de maionese e molhos que os botecos preparam, já que cada bar faz uma receita única com sua combinação de temperos secretos, deixando o petisco ainda melhor!
    “No boteco, gosto do fato de que as coisas tem uma história (especialmente nos botecos de bairro e/ou nos mais tradicionais) – o próprio local, as pessoas que trabalham lá, as que frequentam, uma porção, uma forma de preparo, uma bebida, enfim, é o que faz de cada boteco o que ele é – e da sensação de descobrir essas histórias e ser um pouco parte delas. Adoro o desapego de qualquer vaidade, formalidade. O boteco é o que ele é, quer você goste ou não, e ele meio que convida a gente a ser assim também, sabe, sem se reprimir”, comenta Giovana.
    Falando sobre machismo em bares, ela conta que: “O que mais me incomoda é quando percebo que sou mais respeitada quando tem homem na mesa ou quando direcionam o atendimento a ele”. Ela diz que já esteve em bares em que ofereciam cardápios de bebida “para ela”, com batidas de frutas e drinques sem álcool, reforçando aquela ideia (equivocada) de que mulher gosta de bebidas mais leves e adocicadas.
    Giovana reconhece a trajetória e a forte presença das mulheres nos botecos. Mesmo com os assédios, ela nota que as mulheres ocupam cada vez mais as mesas e reafirmam a independência e a liberdade. Porém, Gi defende que é preciso ampliar e muito essa discussão: “Afinal, ainda vivemos num mundo onde uma marca famosa de cerveja pode veicular amplamente uma campanha publicitária na qual sugere que as mulheres ‘esqueçam o não em casa’”. (referindo-se ao comercial da Skol que foi veiculado em 2015).
    “O que tem incomodado muita gente é que as mulheres não deixam passar. É comum ver relatos de assédio e abusos em bares famosos e tradicionais de Campinas. Alguns até de lugares que eu adoro. Poucos são os botecos que reconhecem que rolou abuso dentro do estabelecimento, menos ainda são os que se retratam. Apoio as manas que sentem vontade de boicotar e convidam outras mulheres a fazerem o mesmo. Na maioria dos casos é necessário sim. Mas também defendo a ideia de que, quanto mais pessoas conscientes ocuparem esses lugares, menos espaço sobra pra atitudes desrespeitosas, seja com quem for”, finaliza.

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  • Mulheres no boteco: perfil de Raquel, vegetariana botequeira

    Raquel Gomes Hatamoto

    “Gosto de me sentir acolhida, como se estivesse em casa. E esse sentimento surge, não coincidentemente, nos bares de bairro”

    Formada em História e Jornalismo, Raquel não nega sua veia em Humanas na presença assídua nas mesas de bar. Na maior parte do tempo trabalha no Escritório de Relações Internacionais do Instituto de Biologia da UNICAMP, nas horas vagas só pensa em botecar. O ambiente, o clima de descontração com os amigos ao entardecer e a expectativa de bebericar algo ao final do expediente são os chamarizes para Raquel . “Basta isso para que o dia passe mais rápido”, conta.
    Toda sexta e sábado ela bate cartão nos botecos, seja naqueles que já é frequentadora ou mapeando novas biroscas – coisa que adora fazer. Nos dias em que o trabalho é mais pesado, Raquel também pede um botequinho no meio da semana pra desanuviar a pressão e, dependendo do ânimo, estica até o domingo. Seus maiores parceiros de mesa são cinco amigos e seu marido que não falham na missão.
    O negócio da Raquel é ir ao bar, principalmente, para beber, mas ela não dispensa uma porçãozinha. Por ser vegetariana, acaba perdendo bastante da vasta e deliciosa experiência da baixa gastronomia, mas revela que tem seus privilégios: “Geralmente os donos de bar são super legais comigo e acabam improvisando alguma coisa sem carne especialmente pra mim.” Sua porção preferida é o lanche boca de anjo e o pastel de queijo pois, segundo Raquel, “cerveja e fritura ornam como ninguém”.
    Ela conta o que mais a cativa nos botecos campineiros: “Talvez seja provincianismo campineiro, mas gosto de me sentir acolhida, como se estivesse em casa. E esse sentimento surge, não coincidentemente, nos bares de bairro. Gosto de saber que os donos estão ali, metendo a mão na massa, comandando a chapa e servindo os clientes”. Além disso, ela diz que o clima fica ainda melhor acompanhado de um copo americano sempre cheio, mesa na calçada e uma pracinha à frente.
    Sua frequência aos botecos faz com que presencie certas situações que a incomodam bastante, como piadas ou atitudes racistas, homofóbicas e machistas. “Me incomoda o fato de eu ser extremamente respeitada quando estou no bar com o meu marido, algo que não acontece quando saio para beber só com as amigas”, desabafa.
    Mas, para ela, esse cenário vem mudando: “Estamos gritando cada vez mais alto e vimos recentemente o que uma denúncia de abuso fez com a reputação de um bar tradicional em São Paulo. Acredito que a popularização do movimento feminista faz com que as mulheres se sintam cada vez mais seguras e apoiadas para frequentar, ocupar e se fazer notar em ambientes tidos como masculinos.”

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  • Mulheres no boteco: perfil de Marita, botequeira de responsa

    Marita Siqueira

    Costumo ir ao bar muitas vezes, principalmente aos sábados, em que faço ‘via sacra’ pela cidade e frequento aqueles que considero como extensão do lar

    Marita é jornalista, trabalha como repórter na RAC (Rede Anhanguera de Comunicação) e é colunista do Doses, na revista Metrópole. Ou, seja, tem gabarito pra falar de bar. Nas horas vagas não precisa nem pensar muito para decidir seu lugar preferido, já que o boteco é sua segunda casa. Ela conta que não carece de motivação para ir a um bar, basta estar com o fígado em bom estado.
    Marita costuma frequentar os balcões de 3 a 4 vezes por semana e, dependendo do dia, vai em mais de dois botecos por vez, principalmente aos sábados, quando dispõe de mais tempo para se dedicar ao seu hobby.
    Ela conta que já foi mais assídua nas idas aos bares. Costumava bater cartão quase todo dia após o expediente. Mas, com o encarecimento das bebidas, tem preferido ficar em casa, transformando-a em um verdadeiro boteco com música de qualidade, cerveja gelada, petiscos deliciosos e personalizados, e claro, com a  companhia dos amigos que não podem faltar.
    No bar, divide a mesa ou o balcão, com o namorado, Bruno Ribeiro, também grande apreciador da cultura de boteco e com alguns bons amigos. Suas bebidas preferidas são cerveja acompanhada de Campari de aperitivo. Dependendo do dia também pede gim ou vinho. Suas porções mais apreciadas são as em conserva como jiló, tremoço, cebolinha e alguns pratos típicos como moela, coraçãozinho de frango, pé de porco, dobradinha, sarapatel, rabada e o tradicional caldinho de mocotó nos dias de friaca.
    O que mais encanta Marita nos botecos é o clima informal, descontraído, no qual todos interagem para falar de temas como política, futebol, literatura e até filosofar sobre o sentido da vida. Se justifica: “por isso, prefiro o balcão à mesa; o pé sujo ao ostentado”.
    Ela conta que em alguns botecos fregueses machistas e conservadores agem de forma constrangedora. Quando isso acontece, procura ignorar tais comportamentos ou até mesmo a evitar esses locais. Sobre a presença cada vez mais assídua das mulheres nos bares comenta: “Acho muito natural. Somos um país jovem, com democracia recente, portanto, é compreensível que a igualdade entre os gêneros em lugares como botecos tenha tardado um pouco mais do que em países como a Espanha e a França, onde as mulheres frequentam os botecos há mais tempo. Veja por exemplo o Rio de Janeiro, cuja colonização teve forte influência francesa, as mulheres e senhoras vão muito aos botequins. São Paulo é um lugar mais conservador, sobretudo no interior. Estamos ainda nessa transição de processo evolutivo, mas no balcão me vejo como um ser humano, que dá e exige respeito”.
     
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  • Mulheres no boteco: perfil de Larissa, ativista e botequeira

    Larissa Alves da Silva, 22 anos

    “As mulheres estão ocupando os espaços que elas PODEM E DEVEM ir. Elas trabalham, elas merecem. E se não trabalharem, merecem também”

     
    Larissa é jornalista formada e atualmente estuda Direito. A inquietação diante das desigualdades é o que a move e o que faz com que ela esteja sempre envolvida em ações de transformação social, que elevam seu espírito. Nas horas vagas, Larissa gosta de se divertir, seja sair para dançar, acompanhar atrações culturais e, claro, ir aos botecos de Campinas.
    Frequenta bares pelo menos a cada 15 dias e não precisa de muito pretexto para sair de casa. Geralmente vai para comemorações ou simplesmente para se reunir com amigos, tomar uma “cervejinha” e relaxar. Os paqueras também podem ser companhia, mas Larissa não se importa em dividir a mesa com ela mesma. Como de praxe, pede cerveja e, dependendo do bar, arrisca também uma cachacinha artesanal. Apesar de ir mais para comer do que beber, não ousa muito. Suas porções favoritas são as tradicionais batatas fritas, frango à passarinho, calabresa, polenta frita e, claro, as coxinhas (preferência nacional).
    Para ela um bar tem que ter cerveja gelada, porções bem feitas e lugar para sentar. Tendo isso ela se sente quase totalmente à vontade. Quase por conta de alguns inconvenientes que enfrenta por ser mulher: “O que mais me incomoda é quando vou ao bar sozinha, porque toda vez que vou, vem gente encher o saco ou com uma olhada ou pagando uma bebida que eu não pedi”, desabafa.
    Sobre a presença cada vez mais forte das mulheres nos botecos, ela comenta que “isso se deve ao fato de que as mulheres estão ocupando os espaços que elas PODEM E DEVEM ir. Elas trabalham, elas merecem. E se não trabalharem, merecem também”, conclui.

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