Thaís de Araújo Jorge, 26 anos
“Tomei muitas decisões em mesas de boteco, fechei parcerias, discuti política, elaborei projetos, chorei, ri e, como não poderia deixar de ser, conheci meu noivo em uma mesa de boteco”
Thaís sempre encontra um motivo para botecar. Entre uma pauta e outra na sua rotina agitada de jornalista, sempre reserva um espacinho do seu tempo para conhecer um novo boteco. O motivo pode ser refrescar as ideias depois do expediente, bater papo com gente querida ou bebericar uma gelada sem pretexto, o importante é ir.
Além disso, Thaís confessa gostar do ambiente plural: “Costumo dizer que uma mesa de bar é a melhor rede social do mundo, porque ela serve de intermédio para a construção de vínculos muito sinceros. O clima que dispensa a formalidade faz com que a gente se permita entrar um pouco no mundo do outro e vice-versa”.
Pelo menos uma vez por semana ela vai ao boteco com seu parceiro ou amigas e as vezes até com seus pais que diz serem companhias de responsa nas empreitadas botequeiras. A cerveja é a sua primeira escolha, sem preferência por marca, sua única exigência é que esteja bem gelada. Não é muito fã de destilados e drinks mirabolantes que são visualmente bonitos, que nem sempre tem o sabor almejado. Para ela, nada melhor do que uma cerveja pra estender o papo pela tarde ou noite toda.
Apesar de ir mais pelo convívio e para beber, ela não dispensa uma porção que diz ser uma das melhores partes do rolê: “Não tem como ficar indiferente a uma salada de batata do Rei do Joelho, ou ainda um pastelzinho de joelho com catupiry. O bolovo é outro que cai bem com uma breja geladinha. Acredito que a comida traz muito da história do bar e das pessoas envolvidas naquele espaço em cada tempero, cada ingrediente”.
Outras porções que fazem seu coração bater mais forte é a mandioca com costela do bar do Bigodi e da Tia Eli, o bolo doido do Bar do Carioca e tábua de frios como salames, queijos e até mesmo o tradicional amendoim dos botecos campineiros.
Sobre o que mais gosta nos bares ela conta que se sente fisgada pela simplicidade e prosa dos garçons e donos da birosca. Esse contato pessoal, a simpatia, essa troca é uma das experiências mais lindas que já vivenciou, pois diz se sentir acolhida, como se estivesse em casa mesmo.
Ainda há, porém, inconvenientes nesse universo. E ela enumera: o olhar invasivo de alguns homens quando percebem que só há mulheres na mesa, ou que você está sozinha; o ato de se sentar junto na mesa sem permissão mesmo quando não é bem-vindo e a divulgação de propagandas arcaicas e machistas de brejas, que só atestam um estereótipo bisonho com relação à mulher, estabelecendo relações que não fazem o menor sentido e que ainda estimulam o preconceito, o desrespeito”.
Apesar disso ainda acontecer, ela se diz feliz em perceber que há um movimento crescente de posicionamento feminino em diversos espaços da sociedade, inclusive dentro dos bares e que já há diálogos mais abertos sobre assuntos como assédio, feminismo e combate a qualquer tipo de opressão.
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