Giovana Rodrigues Seabra, 24 anos
“No boteco, gosto do fato de que as coisas tem uma história e a sensação de descobrir essas histórias e ser um pouco parte delas”
Giovana, Gi ou ainda Gio, como é chamada pelos amigos, trabalha como repórter de rádio. A rotina agitada, correndo de uma pauta para outra, a apresentação do programa de entrevistas e agora também a pós-graduação em Gestão e Produção Cultural tomam boa parte do seu dia. Mas, mesmo com a loucura do trabalho e os diversos afazeres, Gi não dispensa um boteco quando tem a oportunidade.
Pelo menos uma vez por semana ela sai com as amigas para botecar. Os motivos que a levam à mesa do bar são vários: bebericar uma cerveja gelada; apreciar porções simples, porém maravilhosas; sentir o clima descontraído do boteco e desfrutar de boas companhias. Enfim, só justos e bons motivos. Gi se diz apaixonada pela simplicidade com que os botequins conquistam as pessoas e as fazem vivenciar experiências memoráveis.
O carro-chefe para ela em qualquer boteco são as cervejas, mas, vez ou outra ela experimenta algum drinque, uma caipirinha ou, se a casa tiver, um licor ou cachaça artesanal. Gi aprecia a combinação comida + bebida, mas confessa que a queda é maior pelas delícias da baixa gastronomia. Ela explica que isso se deve ao fato de que é nas porções, lanches e acompanhamentos, que se tem mais contato com a identidade e a essência de cada lugar.
Suas comidinhas favoritas são os lanches boquinha de anjo, os bolinhos de aipim e os caldos. Além disso, ela se diz muito interessada em experimentar as variações de maionese e molhos que os botecos preparam, já que cada bar faz uma receita única com sua combinação de temperos secretos, deixando o petisco ainda melhor!
“No boteco, gosto do fato de que as coisas tem uma história (especialmente nos botecos de bairro e/ou nos mais tradicionais) – o próprio local, as pessoas que trabalham lá, as que frequentam, uma porção, uma forma de preparo, uma bebida, enfim, é o que faz de cada boteco o que ele é – e da sensação de descobrir essas histórias e ser um pouco parte delas. Adoro o desapego de qualquer vaidade, formalidade. O boteco é o que ele é, quer você goste ou não, e ele meio que convida a gente a ser assim também, sabe, sem se reprimir”, comenta Giovana.
Falando sobre machismo em bares, ela conta que: “O que mais me incomoda é quando percebo que sou mais respeitada quando tem homem na mesa ou quando direcionam o atendimento a ele”. Ela diz que já esteve em bares em que ofereciam cardápios de bebida “para ela”, com batidas de frutas e drinques sem álcool, reforçando aquela ideia (equivocada) de que mulher gosta de bebidas mais leves e adocicadas.
Giovana reconhece a trajetória e a forte presença das mulheres nos botecos. Mesmo com os assédios, ela nota que as mulheres ocupam cada vez mais as mesas e reafirmam a independência e a liberdade. Porém, Gi defende que é preciso ampliar e muito essa discussão: “Afinal, ainda vivemos num mundo onde uma marca famosa de cerveja pode veicular amplamente uma campanha publicitária na qual sugere que as mulheres ‘esqueçam o não em casa’”. (referindo-se ao comercial da Skol que foi veiculado em 2015).
“O que tem incomodado muita gente é que as mulheres não deixam passar. É comum ver relatos de assédio e abusos em bares famosos e tradicionais de Campinas. Alguns até de lugares que eu adoro. Poucos são os botecos que reconhecem que rolou abuso dentro do estabelecimento, menos ainda são os que se retratam. Apoio as manas que sentem vontade de boicotar e convidam outras mulheres a fazerem o mesmo. Na maioria dos casos é necessário sim. Mas também defendo a ideia de que, quanto mais pessoas conscientes ocuparem esses lugares, menos espaço sobra pra atitudes desrespeitosas, seja com quem for”, finaliza.
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