Giuliana Wolf
“Adoro sentar na calçada, poder ir de chinelo, o clima totalmente informal e a camaradagem dos garçons quando já te conhecem e te tratam como ‘da casa’ ”
Giuliana ou ‘Giu’, como é conhecida pelos mais próximos, tem uma relação de amor com a comida desde sempre. Isso se reflete em tudo que ela faz, seja na escolha dos botecos para sair, nas viagens que faz ou no trabalho que exerce. Giu trabalha com, segundo ela, uma das melhores coisas do mundo. Ela é uma das fundadoras do Quintal da Cachaça, um clube de assinatura de cachaça artesanal.
Giu conhece bem os botecos que são referência aqui do Cumbuca e está sempre a botecar. Conta que o calor é um grande incentivador de suas idas aos bares, mas diz também que não se prende a isso. O que ela gosta mesmo é de conhecer novos botecos, sempre que possível, ou então comer aquele quitute velho conhecido de um bar específico quando bate a famosa “lara”.
Duas vezes por semana pelo menos ela está lá, firme e forte, acompanhada do seu namorado, escudeiro fiel, e de outros amigos, geralmente formando um grupo de pelo menos quatro pessoas que se sentam à mesa para bebericar, consumir porções variadas e filosofar sobre a vida.
Quase sempre os pedidos se resumem a cachaça ou cerveja (de preferência bem gelada) e uma caipirinha pra acompanhar – “se o bar souber fazer uma das boas”, comenta Giu. Confessa que é pega pelo estômago e gosta de ir mais para comer – especialmente as porções fritas – do que para beber. Mas não se engane, as bebidas não ficam para trás não: “Acho que na maioria das vezes vou mais para comer (rs), mas é claro que a temperatura da cerveja e a seleção de cachaças também entram nessa equação!”.
A liberdade em sentar na calçada, poder ir de chinelo, curtir o clima totalmente informal e a camaradagem dos garçons quando já te conhecem e te tratam como “da casa” são os ingredientes que atraem Giuliana aos botecos. Além disso, ela conta que aprecia as invenções de petiscos muito próprias de cada lugar, feitos com ingredientes do dia a dia.
Conversando sobre coisas que a incomodam nos bares, ela diz que o mais chato é ser servida com cerveja quente (realmente unanimidade de reclamação) e, como mulher, ela aponta: “O que mais incomoda no bar, em geral, é o que mais incomoda na vida: você se sentir intimidada por olhares invasivos de homens que acham que, por estar ali, você quer ser comida com os olhos”.
Giu acredita que, apesar de casos conhecidos de abusos em bares, as mulheres estão se sentindo mais seguras e querem conquistar um espaço que também é delas:
“Apesar das mulheres, às vezes, se sentirem ‘acuadas’ por estarem em alguns lugares, elas não estão deixando de frequentar. Talvez estejam optando por não irem sozinhas, chamando amigas e, sim, indo ao bar e curtindo como têm direito. E para o caso de abusos, as mulheres têm feito denúncias, cobrado posições e, principalmente, cobrado mudanças na postura dos estabelecimentos e seus frequentadores. Acho que isso, de forma geral, também contribui para que mais mulheres se sintam seguras para frequentar os bares”.
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