Alguns bairros de Campinas nos fazem conhecer um pouco mais sobre a cidade. Quando a gente sai sem rumo, mas com direção, sofrem nossos fígados, já sabemos. Mas não adianta. Não temos dúvidas de que vale a pena tirar os pés da rotina, da obrigação, e deixar-se levar de balcão em balcão.
Depois de conhecermos o formidável Bar da Árvore, no Nova Europa, deliberamos o rumo da cumbucada e tomamos a rota em direção ao sul de Campinas (sim, Campinas tem Sul).
Mansos, chegamos ao Bar do Kim, uma indicação certeira. Famoso nas cercanias por comemorar o dia da pingaiada (sempre no dia 2 de janeiro), Florisvaldo, o Kim, tradicionalmente nesse dia distribui todo tipo de birita acompanhada de uma churrascada daquelas. Tudo na faixa. Um gesto franco de agradecimento aos clientes fiéis. Mas, voltando à mesa, lá pela terceira rodada contávamos somente com uns espetinhos de frango honestos, porém insuficientes pros estômagos e pra companhia do vira lata que bate ponto por lá. Kim, atarefado atrás do balcão, lançou logo uma ameaça ao nosso companheiro que, tarimbado, sumiu do mapa. Resolvemos que era hora de encostar o cotovelo no balcão e puxar uma conversa com a turma do bar. Parênteses: essa coisa de turma do bar muitas vezes é encarada com um tom pejorativo por aí mas, para nós, é uma das verdadeiras instituições de boteco que se preza. Todo mundo se conhece desde sempre e pelo apelido de infância.
Voltando pro balcão, o papo já estava bem animado, quando um da turma cochichou com o Kim e saiu sem se despedir, dando a impressão de caso urgente. Não demorou mais uma rodada e ele, o Delmo, estava de volta com uma deliciosa porção de arroz com brócolis feita de próprio punho. De estômagos reconfortados e com o aval do Kim, não sem antes prometer que voltaríamos para experimentar a porção de cavalinha que ele prepara, acatamos a ideia do Cabeça da turma (é o apelido dele mesmo) e migramos para outro boteco da vizinhança.
Escoltados pelo Cabeça, chegamos ao Bar do Beto, cravado na mesma rua do Bar da Árvore. Logo nos chamou a atenção o fato de que parte da turma que havíamos deixado no Kim já estava no novo balcão tomando as primeiras cervejas. Surreal. Beto, o proprietário, e Vicente, o mestre cuca do boteco, nos receberam de braços abertos, oferecendo cerveja a preços honestíssimos e recomendando o lanche de pernil, o mais pedido pela freguesia. Valeu a pena. O lanche é muito bom. Aliás, o Bar do Beto é ótimo, um autêntico botequim do Nova Europa com direito a rifas de tudo que se possa imaginar, porções frias cortadas na hora, porções quentes, lanches, salgados e pratos (a freguesia recomendou a feijoada que sai no almoço das sextas).Teremos que voltar com mais calma para experimentar o cardápio e reencontrarmos os figuras que conhecemos por lá. Quando o Beto recolheu o baralho, desligou a TV e já ia apagando as luzes, aceitamos a sugestão do Cabeção (a essa hora o Cabeça já tinha partido, mas havia deixado na retaguarda o companheiro de mesma alcunha) de mudarmos de balcão, segundo ele, para o último a fechar das cercanias.
Para constar, alguns dos personagens dessa via-sacra: Cabeça, Cabeção, Buzina, Piu-Piu, Alemão, Risadinha, Mineiro, Bicheiro (de verdade), Liminha, Delegado (ex), Delmo, Paulo, Carlão entre outras figuraças.
Bar do Kim
Rua Durval Ulhôa Cintra, 86, Parque Jambeiro – Campinas
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Bar do Beto
Rua São Miguel Arcanjo, 950, Jardim Nova Europa
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Bar da Tânia
Rua Durval Ulhôa Cintra, 86, Parque Jambeiro – Campinas
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